Metalúrgicos de Taubaté votam proposta de indenização da Ford para fechar fábrica

Sindicato afirma que multinacional ofereceu valor mínimo de R$ 130 mil, com adicionais por tempo de trabalho.

Funcionários da fábrica da Ford em Taubaté (SP) votam nesta terça-feira (6) a proposta da empresa de indenização por causa da decisão de encerrar a produção no país, anunciada em janeiro deste ano. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos, a multinacional ofereceu valor mínimo de R$ 130 mil, com adicionais por tempo de trabalho.
A proposta foi apresentada aos trabalhadores no dia 1° de abril para a votação. Durante a assembleia, houve discussão entre os funcionários que se dividiram entre aceitar ou recusar a proposta. Segundo trabalhadores, funcionários mensalistas teriam alegado que o valor para eles era baixo.
Por causa da divergência, a votação deve ser feita nesta terça-feira (6). Desta vez, a votação vai ser feita por voto manual, em uma urna na empresa. Podem votar apenas trabalhadores ativos, das 8h até às 17h.
A proposta da empresa prevê 2,5 salários por ano de trabalho aos funcionários horistas, com indenização mínima de R$ 130 mil. Aos que têm restrição médica, o valor de indenização tem a mesma base, mas com adicionais que variam de R$ 100 a R$ 200 mil de acordo com o tempo de trabalho.
Para os mensalistas, o acordo prevê um salário por ano de trabalho, não podendo a indenização ser menor que R$ 130 mil. A reportagem acionou a Ford, mas aguardava o retorno até a publicação.

ACORDO
Funcionários horistas, aposentados e aposentáveis
• Indenização de dois 2,5 salários por ano de trabalho, sendo a indenização mínima de R$ 130 mil.
Empregados horistas e com restrição médica
• Indenização de dois 2,5 salários por ano de trabalho, sendo a indenização mínima de R$ 130 mil.
• Adicional de 2,5 salários de acordo com o tempo de empresa sendo até 10 anos e 11 meses indenização de R$ 300 mil; de 11 a 20 anos R$ 200 mil; acima de 21 anos R$ 150 mil.
Empregados mensalistas
• Um salário por ano trabalhado, sendo indenização mínima de R$ 130 mil.

FORD DEIXA A PRODUÇÃO NO BRASIL
O anuncio que a Ford encerraria as atividades no Brasil aconteceu no dia 11 de janeiro. Fábricas da empresa em Taubaté, Camaçari (BA) e Horizonte (CE) serão fechadas. Apenas o Centro de Desenvolvimento de Produto, na Bahia, o Campo de Provas e sua sede regional, ambos em São Paulo serão mantidos.
Em Taubaté, onde a montadora atua há 52 anos, serão 830 trabalhadores demitidos. O anúncio surpreendeu funcionários que aprovaram redução de salários e medidas em troca de estabilidade de emprego até o fim de 2021.
Os funcionários fizeram protestos contra a decisão da empresa, que aconteceu em meio a pandemia da Covid-19 e uma crise de desemprego. O Ministério Público abriu apurações para investigar as condições do fechamento depois de a empresa.
As negociações com o sindicato começaram logo após o anúncio, em audiências na justiça do trabalho. Durante a negociação, a justiça garantiu que nenhum trabalhador seja demitido ou deixe de receber. E determinou ainda a volta ao trabalho, que aconteceu no dia 22 de janeiro.

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