Estado de São Paulo teve setembro mais quente dos últimos 59 anos, diz Cptec

Temperatura para o mês foi a mais alta registrada da história do centro de pesquisas, que passou a mapear as médias máximas no estado em 1961. Temperatura média máxima, que leva em conta máximas de todas as estações do estado em todos os dias do mês, foi de 32,3°C

O calor intenso fez de setembro de 2020 o mais quente dos últimos 59 anos em todo o estado de São Paulo, segundo o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptce/Inpe) de Cachoeira Paulista. As temperaturas tiveram elevação de 5°C acima da média histórica para o mês.

A pesquisa foi feita com base em todos os registros históricos do Cptec, feitos desde 1961. De acordo com os dados, a média de temperatura máxima em todo o estado foi de 32,3°C.

O climatologista Diego Jatobá explica que o número é menor que as temperaturas máximas registradas em algumas cidades, que chegaram a passar dos 40°C, porque é uma média de todas as máximas.

“Nós monitoramos os dados de diferentes estações em todo o estado. Há cidades em as máximas passam dos 40°C, outras que chegam a pouco mais de 30°C. Depois dessa observação, acompanhamos ainda as máximas em todos os dias daquele mês e geramos uma média”, explica.

As mais altas temperaturas registradas em todo o estado foram em Lins, Votuporanga e Ibitinga que registraram, respectivamente, 41,9 ; 41,8 e 41,7 ºC.

A média histórica para o mês de setembro é de 27,4°C, segundo o centro de previsão. A alta fez com que a temperatura se aproximasse das registradas no verão. De acordo com os dados, desde 1961, os 32,32°C de média registrados neste mês de setembro só perderam para fevereiro de 2014, quando foi registrado 32,34°C e janeiro de 2019, quando a temperatura média máxima em todo o estado chegou a 33,10°C.

FENÔMENO

O climatologista explica que o fenômeno é causado por um anticiclone, que está deslocado na atmosfera de sua posição habitual, se mantendo sobre o continente:

“Esse anticiclone geralmente fica em cima do oceano. Nessa posição, ele não interfere nas temperaturas. Com a nova posição, ele está repelindo as frentes frias, massas de ar frio e a formação de nuvens em toda a região central do Brasil”, explica Jatobá.

A primavera é a estação de transição entre o tempo seco do inverno e a umidade do verão. A previsão é que sua posição faça a temporada de chuvas atrasar. De acordo com o Cptec, normalmente, as chuvas se tornam regulares a partir da segunda quinzena de outubro e a previsão é de que o tempo seco persista até o início de novembro em todo o estado.

VALE DO PARAÍBA

De acordo com os dados do Cptec, o mês de setembro foi o mais quente dos últimos 15 anos, com média máxima de 29,1°C. O valor leva em conta as estações de todas as cidades e todos os dias do mês de setembro, gerando uma média. O valor é 5°C acima da média histórica e também é um reflexo do anticiclone que está sobre o estado de São Paulo.

Segundo o levantamento, o setembro mais quente havia sido registrado em 2004, quando a temperatura média máxima chegou aos 29,7°C. Depois disso, as temperaturas desceram, se aproximando da média histórica para o período que, de acordo com o Cptec é de 24,9°C. Voltando a subir em setembro deste ano.

A região sentiu os impactos do anticiclone, com temperaturas que superaram os 37°C em São José dos Campos e Taubaté, que tiveram os dias mais quentes do ano. A cidade do Vale do Paraíba com a maior máxima registrada foi Cachoeira Paulista, com 37,7°C. No litoral norte, São Sebastião chegou a registrar 40ºC.

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