RMVale passa de 61 mil casos e 1.500 mortes por Covid-19

Dezembro tem registrado aumento no número de casos, mortes e internações e ampliado a tendência de alta verificada em novembro

Na quinta-feira (3), o Vale do Paraíba atingiu duas marcas negativas: mais de 61 mil diagnósticos positivos para a Covid-19 e 1.504 mortes em decorrência da doença.
O número de casos confirmados supera a população de 28 cidades da região e a quantidade de mortes não tem precedentes na história para o mesmo período de tempo.
Mesmo sem os dados de todos os 39 municípios, a região atingiu 61.286 casos confirmados de Covid-19 nesta quinta, com mais 11.742 casos suspeitos e 26 mortes em investigação.
Dezembro tem registrado aumento no número de casos, mortes e internações e ampliado a tendência de alta verificada em novembro. A média diária de novos casos passou de 238 para 342 e de novas mortes de três para sete.
Na média móvel dos últimos 14 dias, a região registra 4.111 diagnósticos positivos da doença contra 3.043 no período anterior, um aumento de 35%. No mesmo intervalo de comparação, as mortes passaram de 44 para 50, crescimento de 13,6%.
As internações subiram 14,5% em dezembro na comparação com o mês anterior, com quase 200 pessoas hospitalizadas em três dias. A taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) subiu de 39,2% no final de outubro para 54,3% nesta quinta, de acordo com a Fundação Seade.
Com os indicadores em crescimento, a RMVale regrediu para a fase amarela do Plano São Paulo na última segunda-feira (30). A região estava na fase verde desde 9 de outubro. O governo estadual não descarta aumentar as restrições ainda mais caso os números continuem negativos.

SOBRECARGA: AO MENOS CINCO ESTADOS TÊM OCUPAÇÃO DE 80% DOS LEITOS DE UTI PARA COVID-19 NA REDE PÚBLICA
Ao menos cinco estados do Brasil estão com a ocupação maior de 80% nos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para Covid-19 da rede pública, segundo informações divulgadas pelas secretarias de saúde na quinta-feira (3). São eles: Amazonas, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro e Pernambuco. Em alguns locais do país, a ocupação dos leitos de UTI para outras doenças também é alta.
No Rio de Janeiro, cerca de 86% dos leitos de UTI destinados à Covid-19 estão ocupados no Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com a Secretaria estadual de Saúde. Há ainda 216 pessoas com suspeita ou confirmação de Covid-19 aguardando transferência para a UTI. Os leitos de terapia intensiva destinados a pacientes sem coronavírus estão com ocupação de 80,22%.
A situação na capital carioca é ainda mais preocupante: a taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 do SUS – que inclui leitos de unidades municipais, estaduais e federais – é de 92%. A informação é da Secretaria municipal de Saúde.
No Amazonas, a taxa de ocupação dos leitos adultos de UTI para Covid-19 na rede pública é de 81,67%, segundo o boletim da secretaria estadual de saúde. Já para os leitos de UTI adultos gerais no SUS, a ocupação é de 76,14%.
Em Pernambuco, a taxa de ocupação de leitos de UTI para pacientes com Síndrome Respiratória Aguda (SRAG), incluindo casos suspeitos e confirmados de Covid-19, é de 85%.
No Espírito Santo, 81,63% dos leitos UTI para Covid-19 estão ocupados, enquanto os de terapia intensiva geral (para pacientes sem Covid) a taxa é de 84,38%.
No Paraná, a taxa de ocupação dos leitos exclusivos para Covid-19 no SUS é de 87%. Já nos leitos de UTI para outras doenças, a ocupação é de 61%.
Na capital, Curitiba, e na região metropolitana, mais de 100 pacientes com Covid-19 ou suspeita da doença aguardam por uma vaga de enfermaria ou UTI em algum hospital da região, de acordo com a Secretaria estadual da Saúde.
Na quinta-feira, o governo do Paraná se reuniu com prefeituras para discutir decreto único contra a Covid-19 para Curitiba e cidades da região metropolitana. O governo informou que as medidas devem ser aplicadas nos próximos dias em virtude do aumento no volume de casos da doença e também da situação do sistema público de saúde, de acordo com informações do G1.
Para especialistas ouvidos pelo GLOBO, o aumento de casos e de internações decorrentes de Covid-19 no Brasil é preocupante.
Temos que ficar muito preocupados (com a situação) porque a lotação está acima do que deveria e corremos o risco de ter falta de leitos, tanto na rede pública quanto na privada. Ainda há outro agravante: como a prioridade é internar pacientes com Covid e eles não podem ficar no mesmo ambiente que os que não estão infectados pelo coronavírus, hospitais estão desviando unidades de terapia intensiva inteiras para o tratamento de Covid. Com isso, começa a ocorrer um déficit nos leitos de UTI gerais. Já vemos hospitais cancelando cirurgias eletivas para conseguir dar conta de atender os pacientes com Covid-19 – afirma Alberto Chebabo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e infectologista do laboratório Sérgio Franco.
A solução indicada pelos especialistas é a abertura de novos leitos destinados à Covid-19 – dentro da estrutura do SUS para se tornar permanente e não com hospitais de campanha — e a restrição de serviços não essenciais.
– Estamos vivendo uma política do “nem-nem”: não tivemos nem fechamento (lockdown efetivo) nem temos serviço de saúde. Não fomos a favor de abrir hospital de campanha, mas fomos contra fechá-los. O que queríamos era que fosse usada a capacidade ociosa da rede pública. O ideal é abrir leitos com muita emergência, porque estamos com pessoas morrendo nas Upas e em casa. Para frear a transmissão do vírus, tinha que fechar, por um tempo determinado, bares, academias de ginástica e eventos (como shows) que são atividades não essenciais e que têm uma grande possibilidade de transmissão. Precisamos também melhorar o planejamento dos órgãos de saúde — diz Ligia Bahia, especialista em Saúde Pública da UFRJ e colunista do GLOBO.
Para ambos os especialistas, o país não vive uma segunda onda da Covid-19, mas um repique da primeira, já que a pandemia nunca esteve sob controle no Brasil, como ocorreu nos países europeus, por exemplo.

REDE PRIVADA TAMBÉM APRESENTA OCUPAÇÃO ALTA
Também há um crescimento no numero de casos e internações de pacientes com Covid-19 na rede privada, segundo informações da Associac?a?o Nacional de Hospitais Privados (Anahp). A entidade realizou um levantamento interno sobre a taxa de ocupac?a?o de leitos de UTIs, quartos e enfermarias, na semana de 20 a 27 de novembro.
Entre 33 hospitais participantes de diversas regiões do Brasil, que contam com 77.788 leitos operacionais por dia, sendo 14% destinados exclusivamente a? Covid-19, a taxa de ocupação por pacientes infectados foi de 74,7% no período pesquisado. A ocupação geral foi de 70%.
Na cidade de São Paulo, os 11 respondentes destinaram 11% dos leitos operacionais a? Covid-19. Nesses, a taxa de ocupação por pacientes com a doença foi de 83,2%.

OUTROS ESTADOS TÊM SITUAÇÃO DE ALERTA
A Secretaria de Saúde de Santa Catarina não divulgou as informações sobre ocupação de leitos exclusivos para Covid-19. Mas a taxa de ocupação geral no estado era de 86% na quinta-feira, com 1.252 leitos em uso, sendo 610 por pacientes com confirmação ou suspeita de infecção por coronavírus.
Já na Bahia, a ocupação de leitos de UTI para Covid-19 na rede pública é de 70%, mas os leitos de UTI destinados às demais doenças estão com lotação que beira os 100%. Segundo a Secretaria de Saúde, essa taxa é alta devido à grande velocidade de giro dos leitos.
Na quinta-feira, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia anunciou que está reabrindo vagas em UTIs, devido ao crescimento da taxa de ocupação de leitos destinados ao tratamento de pacientes com Covid-19.
O secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, destacou que o cenário atualmente é mais crítico do que o vivido nos meses de junho e julho. “Pela primeira vez, todas as regiões da Bahia estão com número alto de incidência, internação e ocupação de leitos. A sobrecarga no sistema é muito maior, uma vez que outros problemas como acidentes de trânsito também aumentaram”, explicou em nota divulgada pela secretaria.
“Estamos vendo um aumento do número de notificações da Covid-19 e de internações. Precisamos continuar tomando todas as medidas de prevenção, como evitar aglomerações e o uso de máscaras. Enquanto governo, podemos garantir que situações excepcionais, como festas em locais públicos, sejam proibidas, mas é importante que todos colaborem”, afirmou Vilas-Boas.

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