Biden consolida liderança e Trump entra com ações em três estados

A campanha de Donald Trump comunicou ter entrado com ações judiciais para suspender a contagem em Michigan e Pensilvânia, estados-decisivos do Meio-Oeste. A campanha também disse ter pedido recontagem em Wisconsin.

A manhã desta quarta-feira foi marcada pela virada de Joe Biden em Michigan e Wisconsin, fundamentais para determinar quem será o novo presidente dos Estados Unidos. Wisconsin já foi confirmado, mas ainda faltam votos a serem contabilizados em Michigan.

De momento, Biden tem 262 votos no Colégio Eleitoral, e Trump, 214. Para vencer, é necessário que cheguem a ao menos 270 de um total de 538 votos no órgão, que elege indiretamente o líder dos EUA. Além de Michigan, a disputa continua aberta na Geórgia, na Pensilvânia, na Carolina do Norte e em Nevada.

A primeira noite da apuração terminou em risco de crise institucional depois que o presidente Donald Trump fez um pronunciamento pouco depois das 4h em que se proclamou vencedor e disse que vai à Suprema Corte para parar a contagem dos votos enviados pelo correio, sugerindo que as pessoas estariam votando depois do prazo, o que não é verdade.

A campanha de Biden chamou a atitude do presidente de “ultrajante”. Pouco antes das 3h, o ex-vice-presidente havia feito um pronunciamento em que disse que estava no caminho da vitória e que era preciso esperar a contagem de todos os votos.

Ao mesmo tempo, Trump afirmou no Twitter que estavam “tentando roubar” a eleição, referindo-se, aparentemente, aos votos postais que, segundo a legislação de vários estados, serão contados mesmo se chegarem às autoridades eleitorais estaduais depois de 3 de novembro, quando a eleição foi encerrada.

Os resultados já contabilizados da eleição indicam uma disputa mais apertada do que o previsto, que pode demorar para ser definida. Todos os resultados são, por enquanto, baseados em projeções dos principais meios de comunicação americanos — como nos EUA cada estado tem as próprias regras eleitorais, não há um órgão nacional que centralize a apuração dos votos.

CNN: Joe Biden ganhou no Michigan

Em mais um estado onde Donald Trump venceu em 2016, as projeções da emissora americana apontam vitória do ex-vice-presidente democrata, somando 16 votos no Colégio Eleitoral. Com isso, ele deve ser eleito presidente se vencer mais um dos estados ainda em disputa, à exceção do Alasca.

Vantagem de Biden no voto popular supera aquela de Hillary Clinton

Com 3,1 milhões de votos de vantagem no voto popular, a liderança nacional de Joe Biden superou aquela de Hillary Clinton em 2016, quanto teve 2,9 milhões de votos a mais.

Campanha de Trump afirma ter entrado com processo em Michigan e na Pensilvânia

A campanha de Trump divulgou um comunicado dizendo que entrou com uma ação em Michigan pedindo ao estado que suspenda a contagem até que receba “acesso significativo” para observar a abertura das cédulas e o processo de contagem. Minutos depois, disse que recorreu à Suprema Corte para intervir na contagem da Pensilvânia.

A campanha também anunciou que pedirá recontagem no Wisconsin. Ainda não há provas efetivas de que os processos foram de fato abertos ou indícios de irregularidades na contagem.

Kanye West recebe 60 mil votos

O cantor Kanye West, que anunciou em julho sua candidatura à presidência dos EUA, recebeu aproximadamente 60 mil votos nos 12 estados onde conseguiu se registrar para a disputa, aponta a AFP. O artista, forte defensor do presidente Donald Trump no passado, teve o melhor desempenho no Tennessee, onde mais de 10 mil eleitores escolheram sua candidatura pelo Birthday Party.

West, de 43 anos e casado com a socialite Kim Kardashian, publicou nas redes sociais uma foto sua diante do mapa eleitoral da disputa presidencial com a legenda “KANYE 2024”, indicando a intenção de concorrer novamente à Casa Branca no próximo ciclo eleitoral. Na última terça-feira, o cantor publicou um vídeo nas redes sociais do momento em que deposita a cédula de seu voto em uma seção eleitoral no Wyoming, estado que sediou sua campanha presidencial. O rapper assegurou que votou pela primeira vez neste ano.

Biden ganha no Wisconsin, projetam CNN e AP

A CNN e a Associated Press projetaram que o candidato democrata, Joe Biden, foi o mais votado no Wisconsin, levando seus 10 delegados. O triunfo no estado, um dos mais disputados do pleito, deixa o ex-vice-presidente a 22 dos 270 votos necessários para ganhar no Colégio Eleitoral.

Com a vitória, os democratas retomam uma das partes mais importantes de sua “muralha azul”, os 18 estados que votaram no partido entre 1992 e 2012. Há quatro anos, Trump conseguiu penetrar no reduto adversário, em meio à decadência do Cinturão da Ferrugem. O resultado é um baque para as chances de reeleição do presidente, que precisa de um desempenho excepcional nos cinco estados restantes (Michigan, Pensilvânia, Carolina do Norte e Geórgia). Antes mesmo do fim da apuração, no entanto, a campanha de Trump já anunciou que vai pedir uma recontagem dos votos no estado.

Maine: Trump ganha distrito eleitoral 2, projeta Associated Press

Projeções da agência mostram que o presidente levou o distrito eleitoral 2 do Maine e seu um delegado. Biden, no entanto, ganhou na contagem geral no estado e no distrito eleitoral 1, levando consigo três delegados. O resultado foi idêntico ao 2016, quando Hillary Clinton levou para si três votos e Trump, um.

Campanha de Trump diz que vai pedir recontagem em Wisconsin

A campanha do presidente Donald Trump anunciou, na tarde desta quarta, que irá pedir “imediatamente” uma recontagem dos votos no estado-pêndulo de Wisconsin, que ainda sequer terminaram de ser apurados. De acordo com a lei do estado, no entanto, a recontagem só pode ser solicitada após o encerramento da apuração.

“Apesar das ridículas pesquisas públicas usadas como táticas para suprimir o voto, Wisconsin é uma corrida acirrada como sempre soubemos que seria. Houve vários relatos de irregularidades em diversos condados de Wisconsin que levantam sérias dúvidas sobre a validade dos resultados. O presidente está dentro dos parâmetros para solicitar uma recontagem e o fará imediatamente”, disse em um comunicado Bill Stepien, diretor da campanha republicana.

Não se sabe de quaisquer indícios de irregularidade no estado, e Stepien não esclareceu a que se referia. De momento, com 95% dos votos apurados em Wisconsin, Biden lidera com 49,57%, contra 48,95% de Trump. A diferença entre eles é de cerca de 20 mil votos.

Pela lei local, uma recontagem automática é reconduzida às custas do estado quando a margem entre os candidatos é inferior a 0,25%. Os candidatos, no entanto, também podem solicitar o procedimento quando a margem for inferior a 1%, arcando com os custos. Isto aconteceu em 2016, a pedido da candidata Jill Stein, do Partido Verde. Na época, Trump aumentou sua liderança sobre Hillary Clinton em apenas 131 votos — raramente as recontagens geram amplas diferenças. Leia mais aqui.

Biden diz que não descansará até que todos os votos sejam contados

Em uma postagem no seu Twitter, o ex-vice-presidente Joe Biden disse que “não vai descansar até que os votos de todos sejam contados”. O comentário é uma resposta à ameaça do presidente Donald Trump de ir à Suprema Corte e judicializar a apuração.

A chefe de sua campanha, Jennifer O’Malley Dillon, disse acreditar que os democratas estão no caminho para a vitória e que chegarão aos 270 votos no Colégio Eleitoral ainda hoje. Segundo ela, a campanha está pronta para uma batalha judicial, caso seja necessário.

Dillon disse ainda que espera ter a confirmação dos resultados em Michigan e na Geórgia ainda nesta quarta, em Nevada e na Pensilvânia na quinta-feira. Na Carolina do Norte, a expectativa é de alguns dias de demora. O ex-vice-presidente fará um pronunciamento hoje, em horário ainda não confirmado.

Mais de 20 pessoas são presas em protestos isolados nos EUA durante a apuração dos votos

Manifestantes entraram em confronto com a polícia em ao menos seis cidades dos EUA entre a noite da eleição e a manhã desta quarta-feira. Mais de 20 prisões foram registradas, em Minneapolis (Michigan), Portland (Oregon) e Graham (Carolina do Norte).

Protestos também ocorreram em Los Angeles (Califórnia), Seattle (Washington) e Chicago (Illinois). Em Portland, no Oregon, mais de 300 pessoas se juntaram ao protesto, algumas delas brandindo o que pareciam ser rifles e pistolas, de acordo com as autoridades policiais. Em Los Angeles, os manifestantes tentaram bloquear a Rodovia Interestadual 10. Leia a reportagem completa aqui.

Biden passa Trump em Michigan

Joe Biden ultrapassou Donald Trump na apuração em Michigan, liderando por uma estreita margem de três mil votos. No momento, com 90% dos votos apurados, Biden tem 49,3% e Trump, 49,1%. O ex-vice-presidente também continua na frente em Wisconsin. Em ambos os casos, no entanto, a vantagem é muito pequena para projetar um vencedor.

Caso o democrata confirme seu triunfo em ambos os estados e em Nevada, onde também lidera na apuração, chegará aos 270 votos no Colégio Eleitoral necessários para se eleger presidente.

Biden bate recorde e ultrapassa 70 milhões de votos

O democrata Joe Biden ultrapassou, na manhã desta quarta, a marca de 70 milhões de votos absolutos, sendo o primeiro candidato à Presidência dos EUA a fazê-lo. O recorde anterior, de 69,4 milhões de votos, fora conquistado por Barack Obama em 2008, na eleição contra John McCain.

O Projeto Eleições nos EUA, organizado pela Universidade da Flórida, estima que 160 milhões de pessoas tenham votado neste ano, a maior participação em 120 anos.

Biden chama de ‘ultraje’ declaração de Trump

A diretora da campanha de Biden, Jennifer O’Malley Dillon, chamou de “ultrajante, sem precedentes e incorreto” o discurso em que Trump se declarou vencedor e ameaçou ir à Suprema Corte para parar contagem dos votos pelo correio. As declarações, ela disse, são um “esforço descarado para tirar os direitos democráticos dos cidadãos americanos”.

— Se o presidente cumprir sua ameaça de ir ao tribunal para tentar impedir a tabulação apropriada dos votos, nós temos equipes jurídicas de prontidão e preparadas para serem enviadas e resistirem a esses esforços — afirmou.

Biden passa Trump em Wisconsin

O estado de Wisconsin, um dos mais disputados da noite, divulgou uma nova leva de votos apurados que põe Joe Biden na frente de Donald Trump. No momento, o democrata tem 1.551.268 votos, 49,39% do total, e o republicano, 1.549.127, ou 49,12%.

Maine: Biden é o vencedor, aponta Associated Press

Projeções mostram que o democrata levou os dois votos no Colégio Eleitoral por ter vencido na contagem geral do estado e mais um voto pela vitoria no distrito eleitoral 1. O distrito eleitoral 2 ainda não teve seus resultados divulgados. Por enquanto, Biden repete o desempenho de Hillary Clinton na área.

Associated Press afirma que Biden venceu no Arizona

Democrata é apontado como vencedor em estado conquistado por Trump em 2016 e que, de certa forma, ameniza um pouco as perdas entre o público latino depois dos resultados na Flórida. Ao todo, são 11 votos no Colégio Eleitoral.

‘Nós vencemos essa eleição’ afirma Trump

Em um pronunciamento na Casa Branca, pouco depois das 4h, Trump falsamente se declarou vitorioso na eleição e disse que “um grupo triste de pessoas” estava tentando suprimir a vontade de boa parte dos americanos.

Mesmo aliados do presidente fizeram críticas à declaração de vitória com a apuração ainda em andamento. Chris Christie, ex-governador de Nova Jersey e aliado do presidente, disse que “foi uma má decisão estratégica” neste momento.

Surpresa na Geórgia?

O ponteiro de previsão eleitoral do New York Times mudou sua análise para a Geórgia há pouco mais de uma hora e atualmente indica uma ligeira vantagem para Biden no estado, atualmente de 59%. O estatístico-chefe do jornal, Nate Cohn, foi ao Twitter, onde explicou que muitos votos ainda não contados são de Atlanta, cidade fortemente negra e democrata, o que é especialmente positivo para Biden.

“Um fator importante na Geórgia: muitos dos votos restantes na área de Atlanta são votos antecipados e pelo correio, o que é especialmente bom para Biden. Uma reversão do que temos visto em quase todos os outros lugares [do estado].”

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