Pastoral carcerária pede à justiça que preso com Covid-19 cumpra pena em casa

A Pastoral Carcerária pediu à Justiça que um preso com Covid-19 da Penitenciária 1 de Potim cumpra prisão domiciliar. O homem passou cerca de um mês internado na Santa Casa de Aparecida, mas recebeu alta na última semana e foi colocado em isolamento na enfermaria da prisão. O pedido ainda aguarda decisão da Justiça.
 
O homem teve os primeiros sintomas da doença no dia 6 de maio, quando foi atendido na Santa Casa, mas depois liberado. No dia 8 de maio teve piora no quadro e, com dificuldades para respirar, foi internado. O quadro se agravou e ele teve de ser ligado a respiradores e ficou internado na UTI. Ele teve alta no dia 2 de junho.
O preso cumpre pena de cinco anos e quatro meses pelo roubo em uma empresa em São José dos Campos. A pastoral pede que, por causa do quadro de saúde, ele cumpra pena domiciliar – tendo que ficar em casa, podendo sair apenas para consultas médicas com autorização da Justiça.
 
O pedido foi feito no dia 21 de maio, por um advogado da pastoral, nomeado pelo arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes. No pedido, a pastoral alertava que tendo alta, o preso teria que retornar para a unidade, o que seria um risco para ele e os demais presos.
 
“Não há outro meio que não a sua internação domiciliar, uma vez que seu retorno pode implicar em um surto nos demais sentenciado, colocando em risco, não somente a sua vida, que não teria meios necessário para a sua recuperação, como também, aos demais, que habitariam o mesmo espaço, confinado e apertado com ele”, diz trecho do pedido.
 
A Santa Casa pediu que o homem seja mantido em isolamento dos demais até o dia 12 de junho. Segundo o laudo médico, o homem ainda depende de cuidados médicos. O pedido aguarda decisão da Justiça e não há prazo para que isso aconteça.
Na última semana, a SAP havia informado que dois presos do sistema prisional na região estavam com suspeita da doença. Os dois cumprem da Penitenciária 2 de Potim. Em nota, a pasta havia informado que eles estavam em isolamento na enfermaria.
 
Na P2 de Potim, quatro servidores testaram positivo para a doença. Um deles passou vinte dias na UTI em estado grave e segue internado para cuidados médicos.
A Defensoria Pública informou que vem buscando junto às unidades prisionais dados de presos com a doença. Na última semana, a Justiça determinou, a pedido da Defensoria, prisão domiciliar para 174 presos da P2 de Potim. Os beneficiados são presos que tiveram progressão de regime para o semiaberto, mas eram mantidos na penitenciária, que é de regime fechado, por falta de vaga.
 
A reportagem acionou a Secretaria de Administração Penitenciária para saber se há novos registros de presos com a doença na região, mas aguardava o retorno até a publicação.

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