Pivô de crise, Inpe vira aposta da União para identificar rota do óleo

Após a crise governamental no caso das queimadas na Amazônia, com desdobramentos internacionais e até a troca no comando, Instituto se torna aliado do presidente para investigação sobre manchas de óleo nas praias

Pivô da crise provocada pelas queimadas na Amazônia neste ano, com desdobramentos internacionais, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) se transformou um aliado estratégico para o governo Jair Bolsonaro (PSL) na tentativa de identificação do rastro do óleo que atinge o litoral da região Nordeste, nessa que já é a maior tragédia ambiental da história do litoral brasileiro.
Antes criticado pelo governo por conta da divulgação de dados de queimada e desmatamento na Amazônia, o Instituto passa por uma reformulação, iniciada com troca na direção.
Na semana passada, o Inpe apresentou resultados obtidos na investigação, para, segundo a Marinha, debater as diretrizes da criação de um grupo de trabalho, composto por especialistas em universidades e institutos para a sequencia da investigação sobre o aparecimento do óleo nas praias.
No início do mês, a Marinha divulgou uma nota afirmando que estava, junto da Polícia Federal, investigando “circunstâncias e fatores envolvidos nesse derramamento (se acidental ou intencional)”, e outros pontos, como, por exemplo, investigar embarcações de outros países.
Os principais dados relacionados foram obtidos por meio do Inpe, como as dimensões e probabilidades de novas manchas, além de volume de óleo derramado.

AVANÇO
Convidado pela Marinha no fim do mês passado para colaborar com as investigações sobre o derramamento de óleo, o Instituto, que tem sede em São José dos Campos, tem trabalho de investigação envolve, por exemplo, estudo de correntes marítimas, e também utilizou uma tecnologia que permite estimar a rota das substâncias, para tentar contê-las antes de atingir as praias.
A previsão, divulgada no início deste mês, era de que o óleo chegasse ao Espírito Santo (o que já aconteceu, na última sexta-feira), e também no Rio de Janeiro.

DADO DE QUEIMADAS DA AMAZÔNIA GEROU CRISE E TAMBÉM A EXONERAÇÃO DE DIRETOR
Em julho, após dados do Inpe anunciarem um aumento histórico de desmate na Amazônia, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o então diretor do Instituto, Ricardo Galvão, trocaram farpas via veículos imprensa – o presidente chegou a dizer que os dados eram “mentirosos”, em entrevista, e o diretor rebateu críticas, dizendo que as declarações do pesselista pareciam “conversa de botequim.”
Galvão acabou exonerado no início de agosto e substituído interinamente pelo militar Dardacton Policarpo Damião, escolha do ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes.
O oceanógrafo Ronald Buss de Souza, que atua diretamente na investigação do óleo nas praias, assumiu interinamente o cargo de vice-diretor.

(O Vale)

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