Corte de recursos federais põe em xeque ITA, Inpe e Unifesp no Vale

MEC anuncia corte de 30% no orçamento das instituições federais de ensino e isso ameaça o funcionamento de universidades, como o campus da Unifesp em São José; contingenciamentos em ministérios afetam ITA e Inpe.

O corte de recursos anunciado pelo governo federal vai afetar as três principais instituições públicas de ensino e pesquisa de São José: ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

O pior cenário, até o momento, é o da Unifesp. Com 114 professores e 1.800 alunos, o campus de São José foi diretamente atingido pelos cortes no MEC (Ministério da Educação) –30% nas instituições federais de ensino.

De acordo com o professor associado Luiz Leduino Neto, ex-diretor da unidade, a universidade está “no limite”. “Temos vários cursos de engenharia que precisam de material de laboratório e reagentes, e os professores estão comprando do próprio bolso. O dinheiro que entra é para água, luz e mínimo de segurança e limpeza. Se o corte de 30% for mantido, não vai dar para continuar funcionando”, afirmou o professor.

Professores e estudantes do campus aprovaram adesão à greve de 24h convocada por professores de todo o país para 15 de maio. Considerada uma das melhores escolas de engenharia do país, o ITA também pode ser afetado pelos cortes.

A instituição é ligada ao Comando da Aeronáutica, que é subordinado ao Ministério da Defesa, que anunciou corte de 44% em seu orçamento.

Mas há setores do ITA, como a pós-graduação, que são ligados ao MEC, e que serão afetados pela redução dos recursos. Além disso, a instituição está em processo de ampliação, que pode ser reduzido.

“O que não foi empenhado pode estar sujeito ao contingenciamento”, disse um professor do ITA. “Os cortes do MEC afetam especialmente a pós-graduação e projetos associados com outros ministérios”.

“O ITA é uma instituição pequena perto de outras, por isso bem vulnerável [a cortes]. Esperamos que seja feito com cautela, mas temos preocupação”, disse Daniel Lavouras, diretor da AEITA (Associação dos Engenheiros do ITA).

A situação é parecida no Inpe, que recebe recursos de vários ministérios em razão da diversidade de projetos. “Há atividades que estão praticamente parando, por falta de recursos e gente”, disse uma fonte.

MEC anuncia medidas para minimizar os cortes; Ministério diz que ITA será poupado

Em nota, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que é ligada ao MEC e responsável pela pós-graduação no ITA, informou que adotou “economia racional de recursos, melhoria do sistema de pós-graduação e parceria com o setor empresarial” para “superar os desafios apresentados pela necessidade de contingenciamento de recursos na administração pública federal”.

O órgão confirmou medidas como redução da concessão de novas bolsas, suspensão de novas bolsas do programa ‘Idiomas Sem Fronteiras’ e retomada de chamadas públicas para investimento de empresas.

O Ministério da Defesa informou que o contingenciamento não “implica em nenhum ajuste” na pasta e que os recursos para ensino e pós-graduação no ITA (R$ 3,2 milhões) foram poupados.

Fonte: O Vale

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