Prefeito de Santa Branca debocha de erro ortográfico em cartaz de manifestantes: ‘Orelhudos’

No cartaz, a palavra dissídio estava escrita incorretamente com a letra ‘c’. A declaração foi dada pelo político em uma entrevista a um site de notícias local. Servidores reclamavam que salário pago pela prefeitura estava abaixo do mínimo.

O prefeito de Santa Branca (SP), Celso Simão (PSDB), chamou servidores municipais de ‘orelhudos’ por causa de um erro ortográfico em um cartaz usado por manifestantes que cobravam reajuste salarial em um ato na Câmara.

No cartaz, a palavra dissídio estava escrita incorretamente com a letra ‘c’, ao invés de ‘ss’. A declaração foi dada pelo governante em uma entrevista a um portal de notícias. O vídeo viralizou nas redes sociais.

O cartaz foi exibido por um grupo de trabalhadores na sessão da última segunda-feira (1º). Segundo os manifestantes, os salários estavam congelados há três anos e abaixo do mínimo estabelecido pelo governo federal.

Três dias após a mobilização, a prefeitura concedeu reajuste de 3,2%, que foi pago na última quinta-feira (4).
Após o ocorrido, o prefeito deu entrevista a um jornal falando sobre a manifestação e criticando a forma como os servidores escreveram a palavra para manifestar: “Eu falo esse negócio de ‘orelhudo’ porque é mesmo, mas fica ruim falar que é ‘orelhudo’. Não vou falar que é ‘orelhudo’, mas esse pessoal vai na Câmara, foram 19 pessoas lá semana passada, reclamar sei lá do que, falando que tinha que dar o dissídio, mas no cartaz dissídio com cedilha, aí mata o português e mata nós. Aí não tem jeito. Até pra gente fazer oposição tem que ser inteligente, senão fica chato. É coisa de louco,” disse.

A declaração, considerada ofensiva, causou reclamação dos funcionários e incomodou internautas. A prefeitura tem cerca de 700 servidores.

“A gente estava reivindicando o que é o nosso direito, não precisava debochar da nossa cara por um erro que todo mundo pode cometer. Ficamos muito chateados, não nos sentimos valorizados. Estávamos ganhando menos que o salário mínimo. É revoltante. Nosso ato não foi pessoal, do mesmo jeito que respeitamos ele, ele deveria nos respeitar. Agora queremos o retroativo de janeiro e fevereiro”, disse uma funcionária pública, que preferiu não se identificar.

“Ficamos muito ofendidos e desapontados com a falta de ética do prefeito”, disse outro funcionário, que também preferiu não ter o nome divulgado. Os servidores temem represália.

O QUE DIZ O PREFEITO
Por telefone, o prefeito Celso Simão informou que assumiu o município com muitas dívidas, mas que as contas foram controladas e, a partir desse ano, seria possível voltar a fazer o pagamento do dissídio. O prefeito está no cargo desde 2017.

Sobre a deboche na entrevista, Simão disse que comentou o ocorrido em tom de brincadeira.

“Jamais foi para ofender, minha família é toda daqui, não falaria uma besteira dessa para ofender. ‘Orelhudo’ é um termo normal sobre pessoas que fazem as coisas sem conhecimento. Agora a oposição quer usar o que eu falei para denegrir a minha imagem”, explicou.

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